A seguir, a introdução do texto “Relendo Emmanuel“, de Gilberto Campista Guarino.
“(…) precisamos, em verdade, do
ESPIRITISMO e do
ESPIRITUALISMO, mas, muito mais,
de ESPIRITUALIDADE.” (Emmanuel,
na apresentação de André Luiz, em
“Nosso Lar”, 34a ed. FEB/RJ)
EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA
Como escrevemos alhures (cf. “Espiritismo: Uma
Reflexão sobre Fundamentos”), “O Espiritismo não é mais uma
religião, ou, como preferem alguns, mais uma seita; é um
poderoso sistema filosófico, apoiado em fatos que, a seu turno,
indicam a atuação de leis da natureza, uma natureza mais ampla,
talvez, menos imediatamente compreensível para a ortodoxia
anacrônica (…)”
Dentre os fatos, de há muito bem estabelecidos, graças às
pesquisas de Sir William Crookes, Charles Richet, Gustave
Geley, Hernani G. Andrade e Ian Stevenson, ressaltam as
ocorrência da mediunidade, um aspecto da função psi, que agora
desperta na estrutura psicobiológica humana.
Tal fenomenologia ganhou, em Francisco Cândido Xavier,
pessoa que a afetividade do brasileiro consagrou como “Chico
Xavier”, aspectos quantitativa e qualitativamente significantes, a
desafiarem a ortodoxia científica vigente. São milhares de
eventos, indo desde as ectoplasmias, passando pelas
identificações de Espíritos, seja na presença de familiares ou
conhecidos, seja na fundamental categoria do “drop in” (que
afasta a incidência de parâmetros empregados pela escola
materialista da Parapsicologia), até desaguar na produção de
textos literários puros, filosóficos e científicos, estes últimos,
como na chamada “Série André Luiz”, veiculando, na maioria das
vezes em linguagem figurada, antecipações de dados integrantes
de contemporâneas visões físicas do cosmos.
Levou o presente opúsculo em conta a refinada contribuição
de ChicoXavier/Emmanuel, na qual ressalta, a nosso sentir, a
característica de corte moral e ético, peculiar aos grandes textos
espíritas, que não se caracterizam pela moralidade religiosa, mas
por um apelo à ética. Porém, muito mais do que uma moral miúda
e uma ética fechada em si mesma, na qual todo e qualquer
banditismo encontra justificativa comportamental, cremos que o
pensamento de Chico Xavier/Emmanuel enfoca noções de Ética e
de Moral Cósmicas, as únicas aptas a, desfazendo o jogo obsceno
de repressões e sublimações pela culpa imposta e introjetada pela
tradição judaico-católica, concomitantemente evita o
sensacionismo primitivo, que a tudo justifica, em nível
basicamente egoístico.
Fiel a tal visada, não tivemos a intenção de consolo, nem
mesmo a de satisfazer a eventuais expectativas, o que uma moral
miúda talvez pudesse classificar como manifestação de
arrogância. Não o é, porém, além do que ao homem voltado para
o Espírito importa muito pouco o maniqueísmo das condenações
apressadas, sempre superficiais.
Não o é, repetimos; trata-se, antes, de um singelo apelo à
necessidade de reconhecermos, no Conhecimento, a grande chave
de nossa libertação, não somente enquanto homens, senão
enquanto seres integrais.
Dito isto, passemos, sem mais delongas, a alguns textos
escolhidos dentre os que nos pareceram bastante exemplificativos
desta atitude mental, e seus comentários.